• Lucia Valente

Tributo a Iemanjá


Hoje visito a Rainha das águas salgadas em pensamento, recordando o toque arenoso da sua areia seca quando me aproximo para pedir a sua bênção, para a saudar à chegada à praia… Lá fora, o barulho da chuva traz a nostalgia do passado, da liberdade que outrora o Ser Humano tinha e que, na verdade, nunca soube respeitar e saborear. A chuva que coabita connosco, com este vírus que veio testar ao limite todos os seres, parece tentar purificar, lavar a alma de todos os que se predispõem a renascer, a despertar para uma nova dimensão, na qual serão reis e senhores atributos como: a compreensão; a entreajuda; o amor incondicional; a abundância e a consciência de que somos todos Um. Confinada a um espaço físico, mas livre para viajar emocional e espiritualmente, faço aqui a descrição das memórias que o bom mar de Iemanjá traz até a mim. Nesta partilha, encontro forma de chegar mais longe, de elevar as minhas preces ao alto, solicitando também a esta divindade que aligeire a tempestade que assola o mundo e que parece não ter fim. Como Unos que somos, acreditando na nossa capacidade inata de cocriar, podemos ergues forças, elevar as nossas orações e assim derrubar a vibração grotesca deste inimigo que ainda se consegue mascarar e ressurgir de variadas formas…

Iemanjá, escutai as minhas palavras desde já:

Minha mãe querida: Confidente, destemida, Senhora das águas dos mares Que oscilam com o tempo… Vos suplico auxílio Banhando-me no vosso mar: Transmutando miasmas, limitações, Desprogramando memórias, Bebendo das vossas histórias De navegante sempre a prosperar, Porque só o teu nobre amar É capaz de nos purificar. Sonho visitar-te com nostalgia. Relembro a rosa branca que te dei Quando ao pé de te chorei, implorei… Que fosse finda a batalha Que estamos a travar. Na paz do teu manto, Minhas lágrimas se fundiram Com a tua essência divina, E não mais chorei… Apenas me banhei na tua alegria, Na esperança do teu canto Me deixei sossegar.

A minha respiração suaviza agora Num momento de gratidão, Pois, ainda que ausente fisicamente, Sei que “a minha rosa branca” Será entregue da mesma forma. Ouço ao longe um cantarolar, Que emociona e aquece meu coração Sem demora. Minh’alma não mais chora, Porque te sei a meu lado; Ao lado de todos os que sabem escutar Como é lindo o teu canto. Envolvida no teu manto claro e transcendente Entrego e aceito este momento, Pois sei que tudo tem o seu tempo E que a tua força é surpreendente, Capaz de a todos abençoar. Iemanjá Rainha do Mar, Cabelos ondulando ao sabor do vento… Mãe intemporal no preceito de amar, Aconchego pleno de todo e qualquer sentimento.

Gratidão a cada onda que me fez mergulhar (ainda mais) dentro de mim mesma. Gratidão à (re)descoberta de um Ser Que me dá a mão, Ainda que a revolta me possa visitar, Porque o seu amor de mãe É capaz de a todos aconchegar e salvar.

Odociabá Iemanjá! Salve a Sereia do Mar!

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